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Antonino
- Porque eu considero tudo quanto é alemão e italiano meu inimigo. Branquelos de merda! Eu nasci e vivi em Nova Bassano até os doze anos e me fodi muito, velho. Me fodi até na mão da minha mãe, tudo por causa do meu sangue negro. A velha devia pensar melhor antes de foder com um negrão, o escroto do meu pai, se não queria um filho mulato. Mulato não, negro. E não me chame de italiano por causa dos meus olhos verdes.
Éramos amigos a muito tempo, Antonino e eu. Já tinha escutado aquela conversa dezenas de vezes, e sempre que tentava esmiuçar o sentido das palavras "me fodi muito em Nova Bassano" ele desconversava. Resolvi perguntar sobre sua nova namorada, que eu ainda não conhecia, e a quem ele chamava de "alma gêmea". Ele deve tê-la escolhido de uma longa lista, porque era um rapaz muito bonito e de bom caráter. Se fosse mais alto poderia desfilar na passarela.
- Ah, ela continua bonita, gostosa, meiga, gentil, boa-praça, companheira, inteligente. Tu vai conhecer ela agora mesmo.
Uma garota vinha em nossa direção, com um saco de compras na mão esquerda. Era bonitinha e rechonchuda, cabelos e pele muito clara, a típica colona bem nutrida. Num tom de censura, voltei-me para ele e disse:
- Porra, Nino, agora eu não te entendi. Depois de tudo isso que tu falou.
Ele respondeu na hora:
- Cara, o que é que eu vou fazer? É o amor, cara, é o amor! Amora, cara! Love. Afeto. Coração.
Em sua testa contraída , e na dureza dos seus belos olhos eu podia ler com clareza: Tu é um babaca, cara! Um trouxa, cara!
G
Escrito por G às 21h57
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Contosco Menino-Moço
Poucas vezes na minha vida eu vira uma mulher tão gostosa, um caso raro de fartura e rigidez de coxas, peitos e nádegas. O problema é que tudo isso vinha precedido por uma bengala, o alarme rudimentar que avisa os cegos de qualquer obstáculo em seu percurso. Sentia-me tentado a devorá-la com os olhos de um jeito acintoso, deselegante, porque ela era muito boazuda, e além do mais não poderia reclamar. Porém seria nojento devorá-la com os olhos justamente porque os dela não funcionavam. E, se funcionassem, eu não me atreveria, com medo de escutar um merecido desaforo. Então me contentei com uma respeitosa olhada no seu grande e empinado traseiro, como faria com qualquer uma.
G
Escrito por G às 21h23
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